Fazendo o Extraordinário nas Coisas Comuns
Estava navegando pelo Instagram quando me deparei com uma publicação do professor Victor Sales, que trazia uma citação de São Josemaria Escrivá, sacerdote católico espanhol e fundador do Opus Dei, uma Prelazia Pessoal da Igreja Católica. A citação era a seguinte:
“Deus não espera que você faça coisas extraordinárias. Ele espera que você faça extraordinariamente bem as coisas comuns.”
Vivemos em uma época que valoriza excessivamente as grandes conquistas, os feitos grandiosos e as histórias de superação extraordinária. Diante disso, essa citação soa quase como um alívio, uma reorientação de perspectiva: não é preciso mudar o mundo para viver bem e com propósito. Após refletir sobre essas palavras, percebi que elas fazem total sentido, e por isso quero compartilhar minha interpretação.
Quando realizamos algo simples com muito cuidado e atenção, sentimos satisfação e a sensação de missão cumprida. Passamos, então, a valorizar o tempo dedicado àquela atividade. Um bom exemplo disso é o café da manhã: ao prepará-lo com delicadeza, considerando as quantidades e prezando pela organização, mesmo sendo algo trivial, essa refeição bem feita nos prepara para enfrentar as demais atividades do dia e nos torna gratos por aquele momento. Dessa forma, uma tarefa simples tem o poder de nos condicionar positivamente e nos deixar mais felizes e dispostos. E quando esse cuidado se torna um hábito, algo notável acontece: a excelência nas pequenas coisas, repetida dia após dia, molda o nosso caráter e cria um padrão de comportamento que se estende naturalmente para todas as áreas da vida.
Outro ponto igualmente relevante é a maneira como lidamos com nossas obrigações menos prazerosas, como estudar uma matéria que não é a favorita, realizar um trabalho acadêmico ou apresentar um case na faculdade. Todas essas são atividades comuns, sem nada de extraordinário. No entanto, muitas vezes as executamos sem dedicação plena, entregando apenas o suficiente. Se nos propusermos a realizá-las com 100% de empenho, aprenderemos muito mais e colheremos uma genuína sensação de recompensa, livre da angústia de saber que poderíamos ter dado o nosso melhor.
Portanto, ao fazer tudo com excelência, desenvolvemos gratidão e passamos a apreciar melhor as coisas simples da vida: ajudar o próximo, arrumar o quarto, organizar os livros na estante, cuidar do nosso espaço de trabalho e estudo. Sob uma perspectiva espiritual, São Josemaria nos lembra que esse cuidado cotidiano pode ser, em si mesmo, uma forma de oferta e de conexão com algo maior do que nós. Independentemente da crença de cada um, a ideia central permanece: quando agimos com propósito e dedicação até nas tarefas mais banais, atribuímos significado à nossa própria existência. Com isso, construímos uma vida com mais dignidade, ficamos bem conosco mesmos e passamos a prestar mais atenção nas pequenas, mas preciosas, coisas do nosso cotidiano.